Cinco dicas para os pais

Você cresceu! Olhe para você agora.... O que mudou? .... Que fatos em sua vida formaram quem você é hoje? Como a sua história influência na forma como lida com seus filhos?

Tornar-se pai/mãe é difícil! Vai ser difícil sempre. Não há manual, não há receita, às vezes punir demais não é suficiente, às vezes amor demais também não é. Você vai errar. Existem muitas crenças limitantes permeando a relação de pais e filhos, elas atrapalham e criam adultos despreparados para a vida lá fora, são os eternos adolescentes ou adultos incapazes de assumirem responsabilidades: 

1- Dar tudo o que não teve aos filhos: Ao fazer isso, você não ensinará a ele o preço das coisas, não apenas o preço material, mas o preço pago a cada dia de trabalho, da falta de tempo, de acordar cedo, o preço do stress e dos problemas diários. Ele crescerá acreditando que o mundo é dele e com o passar do tempo, os bens materiais vão se tornando mais caros e difíceis de alcançar. Você bancará isso a vida inteira? Ensine-o que é necessário um trabalho para conquistar o dinheiro, e que, o que ele tem, mesmo não sendo tudo que quer, é tudo que precisa. 

2- Proteger o filho de tudo e de todos: As crianças são seres frágeis, é verdade, por um longo período de tempo necessitarão de seus cuidados constantes. Mas, a vida na sua maravilhosa forma, dá a esses pequenos seres a capacidade de desenvolvimento e aprimoramento de suas habilidades motoras e cognitivas. No entanto, para que isso ocorra, é necessário dar espaço à criança, deixá-la brincar, falar, correr, ficar e fazer algumas coisas sozinha. Ao protegê-la do mundo, você certamente a poupará do sofrimento (e diminui o seu sofrimento como pai/mãe também), o problema é que a vida é instável, e algum dia quando ele crescer e se deparar com situações desafiadoras, não saberá como agir. São os adultos fracassados, com baixa auto-estima, problemas e dificuldades relacionais e medos irracionais. São os adultos inseguros e que não sabem lidar com problemas, frustram-se nos pequenos desafios do dia-a-dia, pois nunca tiveram a oportunidade de lidarem com o sofrimento e momentos difíceis e normais da infância. 

3- Não apontar ou reconhecer os erros de seu filho: Papais, um dia descobrirão que aquela criança a quem deu tanto amor e carinho, um dia irá lhe desapontar, e isso é normal e necessário. Nesse momento, você deve ser firme e explicar que o que seu filho fez foi errado. Ensinar a pedir desculpas e assumir o feito é uma forma de torná-lo um adulto humilde, ensine-o que nossos atos possuem consequências, tanto as atitudes boas, quanto as ruins. Quando os pais buscam explicações para os maus atos dos filhos, estão nada mais do que dando explicações para as suas próprias falhas enquanto pais. Aceite o erro do seu filho, é uma oportunidade de aprender e ensiná-lo também, mas não basta aceitar, você deve corrigir.

4- Tornar-se amigo de seu filho: Amigos fazemos na escola, no bairro e na comunidade. Pais que se tornam amigos dos filhos, perdem o controle e autoridade sobre eles, sendo difícil conseguir novamente. Aceite! Seu filho não contará tudo para você, não dirá todos os seus segredos, não compartilhará todas as suas tristezas e para isso, existem os amigos. A você cabe orientar, educar, explicar e o mais importante, gerar responsabilidade. Deixe claro para ele que pode contar com você, mas também explique que confia nele, e que a quebra dessa confiança incluem outras atitudes de sua parte, as quais ele talvez não goste, como proibir saídas e visitas ou algumas amizades. Por falar em amizades, fique sempre atento a elas, saiba onde seu filho está, com quem está e o que está fazendo. Se for menos de idade, procure dar horário para voltar. O distanciamento é bom e eles precisam de liberdade para se desenvolver, mas como sabemos, tudo que é demais faz mal, não é?

5- Não deixar seu filho perceber sua tristeza: Este é um ponto muito importante. Constantemente pais ou mães se fecham no banheiro e no quarto para chorar ou esconder um problema. As crianças percebem e ficam confusas com essas ações. Muitas imaginam que a culpada por tal tristeza são elas mesmas. Se há algum problema seja claro com seu filho. Diga que adultos sofrem e tem muitas responsabilidades e que isso às vezes é pesado, e então choramos. Diga como ele pode te ajudar, dando um abraço, um beijo, ajudando a secar a louça. Assim estará ensinando seu filho que ele pode ficar triste também, e mais do que isso, pode compartilhar com as pessoas. Ele aprenderá a ouvir, respeitar e entender que sofrimento existe, mas que podemos lidar com ele. 


As cinco dicas acima ainda não são o bastante para tornar-se um pai perfeito! E olha que interessante : você não será! Então, não acredite que seu filho será assim também. Permita a ele ser imperfeito como é, nas suas tentativas diárias de explorar o mundo, de sujar a calçada, de quebrar os pratos, gritar, chorar e ficar emburrado. Ele talvez não queira ser médico, nem advogado, nem dentista. Você não poderá escolher e resolver tudo para seus filhos para sempre, mas o melhor que pode fazer é ensiná-lo, para que quando crescer, possa ser feliz em qualquer de suas escolhas. Jamais deixe de apontar os erros de seu filho, mostrar sua decepção também é importante às vezes, pois ele precisa aprender que gera sentimentos nas pessoas. Os filhos devem ser sempre a evolução dos pais, e é por isso, que mesmo com uma educação de ponta, eles serão muito diferentes de vocês!  Basta analisar você e seus pais: O que vocês tem em comum? O que você aprendeu com o erro de seus pais? 

6 Ensina à criança o caminho que ela deve seguir; mesmo quando envelhecer, dele não se há de afastar. (Provérbios 22, 6).

Um grande abraço, estejam sempre atentos nesse desafio que é ser pai ou mãe! E se, por algum motivo perceber que errou, nunca é tarde para voltar atrás e recomeçar o caminho, os pais também são imperfeitos. 




Gabriela F. Esma Lopes
Psicóloga



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