Um Papo Sobre Depressão
Todos nós devemos conhecer a história do "Patinho feio", se ainda não conhece, sugiro que a procure. Ela retrata a história de um patinho que como os outros, sai contente para ir de encontro à sua mãe e seus irmãos, mas que pela sua aparência, é recusado e rejeitado. Diante disso, o pobre patinho parte para o mundo, sem rumo e com a insuportável dor de precisar conviver com sua diferença. Embora oculto, o pobre patinho viveu intensos momentos de depressão até poder descobrir que poderia olhar sua imagem no lago sem medo. Lembro que essa foi a primeira história que me fez chorar na infância.
Não são poucas as pessoas que se sentem como o patinho. Por não suportarem mais sua realidade, afundam cada vez mais em pensamentos hostis e cruéis sobre si mesmas, trazendo como consequência a tristeza, o desânimo e o vazio da vida. Logicamente, não há em hipótese alguma como julgá-las e acredite, elas enfrentam isso diariamente: " Por que você não se arruma mais?" " Faça novas atividades!" " Você precisa ser mais sociável" "Isso é falta de carpir um lote!" " Você precisa se ajudar!" " Lá vem ela, sempre com aquele humor".
O problema é que depressão não é escolha, é doença! E como toda doença tem múltiplos fatores. Às vezes surge de modo sutil, mas se não tratada, se alastra e se agrava com o tempo. A depressão interfere no modo como a pessoa trabalha, se alimenta, dorme, estuda e desfruta de atividades que para outros seriam agradáveis. Depressão não é uma tristeza passageira!
De um modo mais simples, a depressão é uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais, e por isso, dificilmente seu tratamento efetivo dar-se-á apenas com medicamento. Explico melhor:
De um modo mais simples, a depressão é uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais, e por isso, dificilmente seu tratamento efetivo dar-se-á apenas com medicamento. Explico melhor:
Nos fatores sociais encontra-se tudo que está no nosso ambiente social diário ou que talvez tenha feito parte deste ambiente um dia: problemas com bebidas ou drogas na família, histórico de exploração sexual ou de trabalho infantil, perda de um ente querido, separação, doenças na família, desemprego, problemas financeiros ou conjugais, ser constante alvo de críticas e punições, entre outros. Neste mesmo empasse estão também os fatores internos ou psicológicos, que dificilmente aparecem dissociados dos fatores sociais, como: tristeza, sentimento de solidão, medo, insegurança, autocritica, sensação de desamparo, ansiedade e outros. Por último os fatores biológicos, que se relacionam a uma predisposição genética para o desenvolvimento de depressão, pessoas que possuem ou possuíram parentes com depressão, tem as chances aumentadas de desenvolver a doença. Além disso, em alguns casos a depressão está diretamente ligada à neuroquímica do cérebro, pois o cérebro possui neurotransmissores e a forma como estes trabalham, podem ter um papel significativo na depressão, pois atuam na manutenção da estabilidade de humor. Um exemplo é a Serotonina e a Dopamina, responsáveis pelo bem-estar.
Está fácil agora perceber que os motivos que desencadeiam a depressão aparecem relacionados. Por isso, em geral, o tratamento para esta doença é medicamentoso e mental/emocional, com auxílio do médico psiquiatra e psicólogo. Nem todos os casos requerem o uso de medicamentos, assim como nem todos os casos necessitarão do auxílio do psicólogo, tudo dependerá da gravidade da doença e da disposição do paciência para a melhora.
Os sintomas gerais da depressão podem ser divididos em quatro categorias, mas isso não significa que o sujeito apresentará todos os sintomas de uma só vez. Seguem alguns deles:
Comportamental: não sair mais de casa, dificuldade em realizar atividades rotineiras (tomar banho, lavar a louça, etc), dificuldade em se concentrar, choro sem motivo aparente, afastamento de família e amigos, contato com álcool e sedativos e outros.
Sentimentos: culpa, irritabilidade, tristeza, desapontamento, indecisão, falta de confiança, entre outros.
Pensamentos: "Sou um fracassado"; "É minha culpa"; "A vida não vale a pena"; "Sou um inútil"; "Viverão melhor sem mim", etc.
Físicos: Problemas com o sono, cansaço na maior parte do tempo, perda ou excesso de apetite, dores de cabeça, tensões musculares, etc.
A partir desse conhecimento e estudo compartilhado, é preciso compreender a necessidade de um olhar mais generoso para quem apresenta a doença. Preste atenção em você! Se a relação consigo mesmo não existe, podem ser abertas portas para a depressão, uso de drogas, vícios e até mesmo o suicídio. Voltar-se para nós mesmos é tão necessário para a sobrevivência quanto alimentar-se todos os dias. E por falar em alimentação, do que você tem se alimentado?
Citei anteriormente a serotonina e a dopamina como neurotransmissores do bem-estar. Você sabia que a prática de exercícios físicos, o cultivo do sentimento de gratidão e otimismo, o contato com a luz solar e ouvir uma boa música podem aumentar o nível desses neurotransmissores? Que tal fazer algo bom por você hoje?
Se nada disso funcionar, ou se não tiver forças para ir sozinho, bem, procure ajuda, pois a vida realmente pode valer a pena!
Um grade abraço e termino esta postagem com um pensamento de Miguelito!
Gabriela F. Esma Lopes
Psicóloga
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